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terça-feira, 25 de novembro de 2014

Tendência anos 60 e história da moda


Segundo o SENAC moda, os anos 60 estão de volta. É claro que revisitado, mas as estampas e modelagens daquela época vão bombar. Por isso, resolvi fazer um post mesclando tendência e história da moda, afinal os estilistas de hoje vão buscar inspirações nas criações daquele período.

História da Moda - anos 60
Moda é arte.
A década de 60, do século XX, foi de eferverscência cultural, política e científica. É conhecida como “Anos Rebeldes”, onde pela primeira vez a juventude passa a manifestar seu pensamento, no início, de maneira ingenua, mas a partir da segunda metade da década, de forma incisiva, através da contracultura.
Esta década representa um marco no mundo da moda.
"Os anos 50 chegaram ao fim com uma geração de jovens, filhos do chamado "baby boom", que vivia no auge da prosperidade financeira, em um clima de euforia consumista gerada nos anos do pós-guerra nos EUA. A nova década que começava já prometia grandes mudanças no comportamento, iniciada com o sucesso do rock and roll e o rebolado frenético de Elvis Presley, seu maior símbolo.
A imagem do jovem de blusão de couro, topete e jeans, em motos ou lambretas, mostrava uma rebeldia ingênua sintonizada com ídolos do cinema como James Dean e Marlon Brando. As moças bem comportadas já começavam a abandonar as saias rodadas de Dior e atacavam de calças cigarette, num prenúncio de liberdade.

Os anos 60, acima de tudo, viveram uma explosão de juventude em todos os aspectos. Era a vez dos jovens, que influenciados pelas idéias de liberdade "On the Road" [título do livro do beatnik Jack Keurouac, de 1957] da chamada geração beat, começavam a se opor à sociedade de consumo vigente. O movimento, que nos 50 vivia recluso em bares nos EUA, passou a caminhar pelas ruas nos anos 60 e influenciaria novas mudanças de comportamento jovem, como a contracultura e o pacifismo do final da década.
Nesse cenário, a transformação da moda iria ser radical. Era o fim da moda única, que passou a ter várias propostas e a forma de se vestir se tornava cada vez mais ligada ao comportamento.

Conscientes desse novo mercado consumidor e de sua voracidade, as empresas criaram produtos específicos para os jovens, que, pela primeira vez, tiveram sua própria moda, não mais derivada dos mais velhos. Aliás, a moda era não seguir a moda, o que representava claramente um sinal de liberdade, o grande desejo da juventude da época. E vai nascer daí o "pret-à-porter".
Na moda, a grande vedete dos anos 60 foi, sem dúvida, a minissaia. A inglesa Mary Quant divide com o francês André Courrèges sua criação. Entretanto, nas palavras da própria Mary Quant: "A idéia da minissaia não é minha, nem de Courrèges. Foi a rua que a inventou". Não há dúvidas de que passou a existir, a partir de meados da década, uma grande influência da moda das ruas nos trabalhos dos estilistas."

Mary Quant

Twiggy - Modelo ícone dos anos 60





Desfile atual com inspiração nos anos 60.



  E é neste cenário que se afirma um novo gênio da alta costura, Yves Saint Laurent (1936 – 2008). Ao reinventar a moda em plena década de 60, quando as mulheres ainda estavam presas a saias compridas e vestidos fechados, Saint Laurent transformou não só o modo com que a sociedade as enxergava, como também, a imagem que tinham de si mesmas. De frágeis donas de casa elas passaram a se sentir seguras o suficiente para manifestar o desejo de igualdade dos sexos.
Seguindo sua vocação para colocar elementos inéditos em suas criações, foi o primeiro a apresentar às consumidoras de moda o vestido trapézio (linha A), o vestido reto (1965) em cores vivas usadas com preto, em referência à obra de Mondrian, o smoking feminino (1966), as transparências, os motivos étnicos (da coleção safári), ambos de 1968, entre tantos outros. Alguns consideram que suas idéias inovadoras foram atualizações das tendências que já eram usadas nas ruas de Londres ou Paris. Mas é certo que o seu "pret-à-porter" deu nova dimensão à moda, lançando-a ao patamar de arte.



Coleção Mondrian - 1965

Coleção safári e smoking feminino - 1968

Ralph Lauren, em sua coleção primavera-verão 2015, tem como inspiração o tema safári.



"O sucesso de Quant abriu caminho para outros jovens estilistas, como Ossie Clark, Jean Muir e Zandra Rhodes. Na América, Bill Blass, Anne Klein e Oscar de la Renta, entre outros, tinham seu próprio estilo, variando do psicodélico [que se inspirava em elementos da art nouveau, do oriente, do Egito antigo ou até mesmo nas viagens que as drogas proporcionavam] ou geométrico e o romântico.
Em 1965, na França, André Courrèges operou uma verdadeira revolução na moda, com sua coleção de roupas de linhas retas, minissaias, botas brancas e sua visão de futuro, em suas "moon girls", de roupas espaciais, metálicas e fluorescentes."

André Courrèges


Alguém já viu alguma destas peças circulando por aí, revisitadas?!


" O italiano Pucci virou mania com suas estampas psicodélicas."




Tenho visto muito destas estampas por aí, seja em calças, saias e vestidos - Lindas!


 "Paco Rabanne, em meio às suas experimentações, usou alumínio como matéria-prima."







"Os tecidos apresentavam muita variedade, tanto nas estampas quanto nas fibras, com a popularização das sintéticas no mercado, além de todas as naturais, sempre muito usadas.
As mudanças no vestuário também alcançaram a lingerie, com a generalização do uso da calcinha e da meia-calça, que dava conforto e segurança, tanto para usar a minissaia, quanto para dançar o twist e o rock.

O unissex ganhou força com os jeans e as camisas sem gola. Pela primeira vez, a mulher ousava se vestir com roupas tradicionalmente masculinas, como o smoking [lançado para mulheres por Yves Saint Laurent em 1966].
A alta-costura cada vez mais perdia terreno e, entre 1966 e 1967, o número de maisons inscritas na Câmara Sindical dos costureiros parisienses caiu de 39 para 17. Consciente dessa realidade, Saint Laurent saiu na frente e inaugurou uma nova estrutura com as butiques de prêt-à-porter de luxo, que se multiplicariam pelo mundo também através das franquias.
Com isso, a confecção ganhava cada vez mais terreno e necessitava de criatividade para suprir o desejo por novidades. O importante passaria a ser o estilo e o costureiro passou a ser chamado de estilista.
Nessa época, Londres havia se tornado o centro das atenções, a viagem dos sonhos de qualquer jovem, a cidade da moda. Afinal, estavam lá, o grande fenômeno musical de todos os tempos, os Beatles, e as inglesinhas emancipadas, que circulavam pelas lojas excêntricas da Carnaby Street, que mais tarde foram para a famosa King's Road e o bairro de Chelsea, sempre com muita música e atitude jovens.
Nesse contexto, a modelo Jean Shrimpton era a personificação das chamadas "chelsea girls". Sua aparência era adolescente, sempre de minissaia, com seus cabelos longos com franja e olhos maquiados. Catherine Deneuve também encarnava o estilo das "chelsea girls", assim como sua irmã, a também atriz Françoise Dorléac. Por outro lado, Brigitte Bardot encarnava o estilo sexy, com cabelos compridos soltos rebeldes ou coque no alto da cabeça [muito imitado pelas mulheres].

Reprodução 
Twiggy, o rosto dos 60
 
Entretanto, os anos 60 sempre serão lembrados pelo estilo da modelo e atriz Twiggy, muito magra, com seus cabelos curtíssimos e cílios inferiores pintados com delineador.
A maquiagem era essencial e feita especialmente para o público jovem. O foco estava nos olhos, sempre muito marcados. Os batons eram clarinhos ou mesmo brancos e os produtos preferidos deviam ser práticos e fáceis de usar. Nessa área, Mary Quant inovou ao criar novos modelos de embalagens, com caixas e estojos pretos, que vinham com lápis, pó, batom e pincel. Ela usou nomes divertidos para seus produtos, como o "Come Clean Cleanser", sempre com o logotipo de margarida, sua marca registrada.
As perucas também estavam na moda e nunca venderam tanto. Mais baratas e em diversas tonalidades e modelos, elas eram produzidas com uma nova fibra sintética, o kanekalon."



Os cabelos da década

Os curtos e cortados geometricamente.

Os sexy, como os de Brigitte Bardot.

Os sofisticados, como os de Jaqueline Kennedy


"A moda masculina, por sua vez, foi muito influenciada, nos início da década, pelas roupas que os quatro garotos de Liverpool usavam, especialmente os paletós sem colarinho de Pierre Cardin e o cabelo de franjão. Também em Londres, surgiram os mods, de paletó cintado, gravatas largas e botinas. A silhueta era mais ajustada ao corpo e a gola rolê se tornou um clássico do guarda-roupa masculino. Muitos adotaram também a japona do pescador e até mesmo o terno de Mao."



"No Brasil, a Jovem Guarda fazia sucesso na televisão e ditava moda. Wanderléa de minissaia, Roberto Carlos, de roupas coloridas e como na música, usava botinha sem meia e cabelo na testa [como os Beatles]. A palavra de ordem era "quero que vá tudo pro inferno"."




"Os avanços na medicina, as viagens espaciais, o Concorde que viaja em velocidade superior à do som, são exemplos de uma era de grande desenvolvimento tecnológico que transmitia uma imagem de modernidade. Essa imagem influenciou não só a moda, mas também o design e a arte que passaria a ter um aspecto mais popular e fugaz.

Nesse contexto, nenhum movimento artístico causou maior impacto do que a Arte Pop. Artistas como Andy Warhol, Roy Lichetenstein e Robert Indiana usaram irreverência e ironia em seus trabalhos. Warhol usava imagens repetidas de símbolos populares da cultura norte-americana em seus quadros, como as latas de sopa Campbell, Elvis Presley e Marilyn Monroe. A Op Art [abreviatura de optical art, corrente de arte abstrata que explora fenômenos ópticos] também fez parte dessa época e estava presente em estampas de tecidos.
No ritmo de todas as mudanças dos anos 60, o cinema europeu ganhava força com a nouvelle vague do cinema francês ["Acossado", de Jean-Luc Godard, se tornaria um clássico do movimento], ao lado do neo-realismo do cinema italiano, que influenciaram o surgimento, no início da década, do cinema novo [que teve Glauber Rocha como um dos seus iniciadores] no Brasil, ao contestar as caras produções da época e destacar a importância do autor, ao contrário dos estúdios de Hollywood. 
No final dos anos 60, de Londres, o reduto jovem mundial se transferiu para São Francisco (EUA), região portuária que recebia pessoas de todas as partes do mundo e também por isso, berço do movimento hippie, que pregava a paz e o amor, através do poder da flor [flower power], do negro [black power], do gay [gay power] e da liberação da mulher [women's lib]. Manifestações e palavras de ordem mobilizaram jovens em diversas partes do mundo.
A esse conjunto de manifestações que surgiram em diversos países deu-se o nome de contracultura. Uma busca por um outro tipo de vida, underground, à margem do sistema oficial. Faziam parte desse novo comportamento, cabelos longos, roupas coloridas, misticismo oriental, música e drogas.
No Brasil, o grupo "Os Mutantes", formado por Rita Lee e os irmãos Arnaldo e Sérgio Batista, seguiam o caminho da contracultura e afastavam-se da ostentação do vestuário da jovem guarda, em busca de uma viagem psicodélica.
A moda passou a ser as roupas antes reservadas às classes operárias e camponesas, como os jeans americanos, o básico da moda de rua. Nas butiques chiques, a moda étnica estava presente nos casacos afegãos, fulares indianos, túnicas floridas e uma série de acessórios da nova moda, tudo kitsch, retrô e pop.
Toda a rebeldia dos anos 60 culminaram em 1968. O movimento estudantil explodiu e tomou conta das ruas em diversas partes do mundo e contestava a sociedade, seus sistemas de ensino e a cultura em diversos aspectos, como a sexualidade, os costumes, a moral e a estética.
No Brasil, lutava-se contra a ditadura militar, contra a reforma educacional, o que iria mais tarde resultar no fechamento do Congresso e na decretação do Ato Institucional nº 5. 
Talvez o que mais tenha caracterizado a juventude dos anos 60 tenha sido o desejo de se rebelar, a busca por liberdade de expressão e liberdade sexual. Nesse sentido, para as mulheres, o surgimento da pílula anticoncepcional, no início da década, foi responsável por um comportamento sexual feminino mais liberal. Porém, elas também queriam igualdade de direitos, de salários, de decisão. Até o sutiã foi queimado em praça pública, num símbolo de libertação.
Os 60 chegaram ao fim, coroados com a chegada do homem à Lua, em julho de 1969, e com um grande show de rock, o "Woodstock Music & Art Fair", em agosto do mesmo ano, que reuniu cerca de 500 mil pessoas em três dias de amor, música, sexo e drogas."

Fotos da época:

Dener - Costureiro brasileiro da época.
















Dica: 

Inspire-se nas décadas e crie seu próprio estilo. Todas elas tem algo de muito bom, que vai tornar você única!

Créditos:
http://almanaque.folha.uol.com.br/anos60.htm
Imagens: Google

















quinta-feira, 29 de novembro de 2012

História da Moda - O conhecimento de causa 1

Eu, com historiadora e amante inconteste da moda, sempre pensei no assunto de uma forma sociológica. Se você pensar bem no assunto vai encontrar a conexão. Pois bem, fui fazer uma pesquisa a respeito do assunto, para também e porque não, fazer um post sobre o assunto. Foi aí que me deparei com um site maravilhoso o http://historia-da-moda.info. Li com atenção as informações históricas e parti para a moda. Adorei!!!! Sendo assim, indico à vocês o site. Vale a pena, pois fala de história e de moda com informações de consultoria de imagem. Muito bom! Mas percebi que havia um lapso temporal (falava da década de 30 e pulava para a década de 60). Não achei justo, afinal as décadas de 40 e 50 tiveram seu valor, tanto na história, quanto na moda. É a partir daí que entro, mostrando um pouco da história e da moda dessas décadas.

Década de 40

Antes de falarmos, especificamente, da década de 40 devemos dar uma pincelada nos acontecimentos anteriores, afinal, essa década foi marcada por um dos mais importantes acontecimentos da história mundial, a II Guerra Mundial (1939-1945), que modificou o mundo tanto social quanto politicamente.

Infobox_collage_for_WWII - Cópia

Após a I Guerra Mundial (1914-1918), os países vencedores (Inglaterra, França) começaram a impor duras condições (Tratado de Versalhes) aos países perdedores, estando entre os mais prejudicados a Alemanha e a Itália. A Europa, de um modo geral, vem sofrendo com a crise econômica pós-guerra que se agrava muito com a crise econômica mundial de 1929. Na Alemanha não há crescimento econômico, impondo desemprego e a fome à população. Neste cenário surgem os Partido Totalitários. Na Itália, os Fascistas, com Mussolini e na Alemanha, os Nazistas, com Hitler, que apoiado pela burguesia alemã, afirmava ser capaz de recuperar a grandeza perdida e levá-los à liderança mundial.

adolf_hitler_germany  Adolf Hitler

Os Partidos Totalitários surgiram em diversos países neste período, inclusive, podemos identificá-lo na América Latina (Brasil e Argentina) e têm características comuns:

  • Anticomunismo; antiliberalismo (o regime democrático é fraco); totalitarismo (o indivíduo deve obedecer ao Estado sem contestação); militarismo; culto à violência; nacionalismo xenófobo (principalmente contra os judeus); racismo (superioridade da raça branca) e culto ao chefe supremo.

Dentre todas as imposições do Tratado de Versalhes, uma que a Alemanha não estava seguindo era a de desarmamento. Muito pelo contrário. No início da II Guerra Mundial, a Alemanha estava tão bem equipada belicamente que conquistou rapidamente todos os territórios que desejou, espalhando o medo, o terror e a crueldade por onde passou, junto com seus aliados, a Itália e o Japão. Os três juntos formavam as Potências do Eixo que lutavam contra as Potências Aliadas (Inglaterra, URSS – atual Rússia, USA, entre outros).

Como algumas consequências da II Guerra Mundial, temos:

  • A redefinição da ordem mundial (mundo bipolar – Guerra Fria) em favor das superpotências – USA e URSS.

  • Declínio da influência política, econômica e mesmo cultural da Europa, muito destruída durante a Guerra, em favor dos Estados Unidos e da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

  • O avanço das técnicas militares de destruição.

  • A criação da ONU – Organização das Nações Unidas.

  • Criação do Estado de Israel (1948), pela ONU, como forma de compensação pelo massacre de seis milhões de judeus, durante a Guerra.

O Brasil vive a Era Vargas (1930 – 1945). Antes da ascensão de Getúlio Vargas ao poder, o Brasil era, essencialmente, um país agrário-exportador. Durante seu governo, ocorreram diversas transformações nacionais: a industrialização progrediu de forma substancial, as cidades cresceram, o Estado se tornou forte, interferiu na economia e foi instaurada uma nova relação com os trabalhadores urbanos (criação da CLT - 1943). Enquanto permaneceu no poder, Vargas foi chefe de um governo provisório (1930-1934), um governo democrático como presidente eleito pelo voto indireto (1934-1937) e ditatorial, no Estado Novo (1937-1945).

Getulio-Vargas-40475-1-402  Getúlio Vargas

O período que nos interessa é o ditatorial ou Estado Novo (1937-1945). Pois bem, a primeira ação de Vargas foi fechar o Congresso Nacional e outorgar a Constituição de 1937, chamada de Polaca, pois foi baseada na constituição Polonesa. A nova Constituição estabelecia um Estado autoritário com absoluta centralização do poder e a supressão da autonomia dos Estados, o que dava ao Brasil uma característica de Estado unitário. Com isso, Vargas pretendia ampliar os seus poderes como Chefe de Estado. Para se promover junto à população, criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) para controlar rádios e jornais. Através dos veículos de comunicação, principalmente o rádio que era o grande instrumento de massa na época, Getúlio Vargas propagou discursos favoráveis à honra do trabalho e ao sentimento nacionalista. Getúlio Vargas sustentou sua propaganda populista com a ideia de uma nação soberana (assim como faziam os fascistas Mussolini e Hitler) enquanto controlava a máquina do Estado de forma autoritária, criando o Departamento Administrativo de Serviço Público para fiscalizar os governos estaduais. Seu governo era tão centralizado, que ele chegou a fechar todos os sindicatos e tratou a organização trabalhista como patrimônio do Estado. Em 1943, editou a Consolidação das Leis de Trabalho, que atendeu a ala operária que lhe deu o apelido de ‘pai dos pobres’.

Após a derrota dos nazistas e fascistas na Segunda Guerra Mundial, os ideais democráticos suplantaram o ar nacionalista imposto pela ditadura do Estado Novo, principalmente com o envolvimento dos Estados Unidos na guerra. No dia 29 de outubro de 1945, Getúlio Vargas foi deposto do poder pelos militares, pois não havia mais sustentação ideológica que desse prosseguimento ao ideal estadista. O mundo passava por uma importante transição, e o Estado Novo já estava mais do que esgotado politicamente.


A Moda e a Guerra

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Em 1940, a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945) já havia começado na Europa. A cidade de Paris, ocupada pelos alemães em junho do mesmo ano, já não contava com todos os grandes nomes da alta-costura e suas maisons*. Muitos estilistas se mudaram, fecharam suas casas ou mesmo as levaram para outros países.

A Alemanha ainda tentou destruir a indústria francesa de costura, levando as maisons parisienses para Berlim e Viena, mas não teve êxito. Durante a guerra, 92 ateliês continuaram abertos em Paris.

Apesar das regras de racionamento, impostas pelo governo, que também limitava a quantidade de tecidos que se podia comprar e utilizar na fabricação das roupas, a moda sobreviveu à guerra. A silhueta do final dos anos 30, em estilo militar, perdurou até o final dos conflitos. A mulher francesa era magra e as suas roupas e sapatos ficaram mais pesados e sérios. A escassez de tecidos fez com que as mulheres tivessem de reformar suas roupas e utilizar materiais alternativos na época, como a viscose, o raiom e as fibras sintéticas. Mesmo depois da guerra, essas habilidades continuaram sendo muito importantes para a consumidora média que queria estar na moda, mas não tinha recursos para isso.

croquis - folha - decada de 40[1]Croquis da Folha - década de 50 

Na Grã-Bretanha, o "Fashion Group of Great Britain", comandado por Molyneux, criou 32 peças de vestuário para serem produzidas em massa. A intenção era criar roupas mais atraentes, apesar das restrições. O corte era reto e masculino, ainda em estilo militar. As jaquetas e abrigos tinham ombros acolchoados angulosos e cinturões. Os tecidos eram pesados e resistentes, como o "tweed", muito usado na época. As saias eram mais curtas, com pregas finas ou franzidas. As calças compridas se tornaram práticas e os vestidos, que imitavam uma saia com casaco, eram populares.

O náilon e a seda estavam em falta, fazendo com que as meias finas desaparecessem do mercado. Elas foram trocadas pelas meias soquetes ou pelas pernas nuas, muitas vezes com uma pintura falsa na parte de trás, imitando as costuras.

Os cabelos das mulheres estavam mais longos que os dos anos 30. Com a dificuldade em encontrar cabeleireiros, os grampos eram usados para prendê-los e formar cachos. Os lenços também foram muitos usados nessa época. A maquilagem era improvisada com elementos caseiros. Alguns fabricantes apenas recarregavam as embalagens de batom, já que o metal estava sendo utilizado na indústria bélica.

A simplicidade a que a mulher estava submetida talvez tenha despertado seu interesse pelos chapéus, que eram muito criativos. Nesse período surgiram muitos modelos e adornos. Alguns eram grandes, com flores e véus; e outros, menores, de feltro, em estilo militar.

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Durante a guerra, a alta-costura ficou restrita às mulheres dos comandantes alemães, dos embaixadores em exercício e àquelas que de alguma forma podiam frequentar os salões das grandes maisons.

Durante a guerra, o chamado "ready-to-wear" (pronto para usar), que é a forma de produzir roupas de qualidade em grande escala, realmente se desenvolveu. Através dos catálogos de venda por correspondência com os últimos modelos, os pedidos podiam ser feitos de qualquer lugar e entregues em 24 horas pelos fabricantes.

Sem dúvida, o isolamento de Paris fez com que os americanos se sentissem mais livres para inventar sua própria moda. Nesse contexto, foram criados os conjuntos, cujas peças podiam ser combinadas entre si, permitindo que as mulheres pudessem misturar as peças e criar novos modelos. A partir daí, um grupo de mulheres lançou os fundamentos do "sportswear' americano. Com isso, o "ready-to-wear", depois chamado de "prêt-à-porter" pelos franceses, que até então havia sido uma espécie de estepe para tempos difíceis, se transformou numa forma prática, moderna e elegante de se vestir.

Com a falta de materiais em quase todos os setores e em todos os países envolvidos nos conflitos, novos materiais foram desenvolvidos e utilizados para a produção de objetos e móveis, como os potes flexíveis e duráveis, de polietileno, que ficaram conhecidos como Tupperware.

Com a libertação de Paris, em 1944, a alegria invadiu as ruas, assim como os ritmos do jazz e as meias de náilon americanas, trazidas pelos soldados, que levaram de volta para suas mulheres o perfume Chanel nº 5.

Em 1945, foi criada uma exposição de moda, com a intenção de angariar fundos e confirmar a força e o talento da costura parisiense. Como não havia material suficiente para a produção de modelos luxuosos, a solução foi vestir pequenas bonecas, moldadas com fio de ferro e cabeças de gesso, com trajes criados por todos os grandes nomes da alta-costura francesa.

Importantes artistas, como Christian Bérard e Jean Cocteau participaram da produção da exposição, composta por 13 cenários e 237 bonecas, devidamente vestidas, da roupa esporte ao vestido de baile, com todos os acessórios, lingeries, chapéus, peles e sapatos, tudo feito manualmente, idênticos, em acabamento e luxo, aos de tamanho natural.

No dia 27 de março de 1945, "Le Théatre de la Mode" (O Teatro da Moda) encantou seus convidados em Paris. Mais de 200 mil franceses visitaram a exposição, que seguiu para vários países, como Espanha, Inglaterra, Áustria e Estados Unidos, sempre com muito sucesso.

No pós-guerra, o curso natural da moda seria a simplicidade e a praticidade, características da moda lançada por Chanel anteriormente. Entretanto, o francês Christian Dior, em sua primeira coleção, apresentada em 1947, surpreendeu a todos com suas saias rodadas e compridas, cintura fina, ombros e seios naturais, luvas e sapatos de saltos altos. O sucesso imediato do seu "New Look", como a coleção ficou conhecida, indica que as mulheres ansiavam pela volta do luxo e da sofisticação perdidos. Dior estava imortalizado com o seu "New Look" jovem e alegre. Era a visão da mulher extremamente feminina, que iria ser o padrão dos anos 50.

imagesCA3ROJ19  New Look

A Moda brasileira na década de 40

Em 40/45, acontece a Segunda Guerra Mundial, que bloqueou as importações de bens de consumo, consolidando a indústria têxtil e de confecções no Brasil. Durante a guerra só se importou de 10 a 20% dos tecidos consumidos no país.

Nesse período foi inaugurada uma era de intervencionismo, através da adoção de uma política de restrição às importações. Vitória da indústria nacional. Lojas como o Mappin (primeira loja de departamentos de São Paulo inicialmente direcionada para a elite), baseadas nas importações viram-se obrigadas a se adaptar aos novos rumos: ”Podia-se sentir, na referência ao rigor com que a loja selecionava os produtos nacionais, alguma desconfiança, ainda, com relação à qualidade dos artigos produzidos no Brasil”.( Alvim, 1985, p. 131)., sobretudo por parte da elite acostumada a desvalorizar o produto interno em prol dos importados.”

Quanto à moda, é nesta década que começa a existir moda brasileira. Ou pelo menos, uma adaptação mais conscienciosa do que era ditado por Paris. Casas de luxo, como a Casa Canadá (que ocupou o lugar de maior destaque na moda brasileira naquele período), devido à dificuldade de importação imposta nessa época, começa a produzir modelos e tecidos exclusivos para a elite econômica, totalmente copiados dos modelos europeus.

De acordo com Durand: “Embora não se propusesse a fundar a alta costura nacional, a Casa Canadá realizou um trabalho de importação de moda mais elaborado e pioneiro. Ele envolvia organização de desfiles, um ateliê de costura fina encarregado das coleções e desfiles, das encomendas exclusivas de um pequeno estoque para os pedidos do prêt-à-porter. Compreendia também um esforço de divulgação, envolvendo um serviço de imprensa e apresentações nos Estados mais importantes.”(Durand, 1988 p. 72).

Apogeu de Hollywood e Carmem Miranda, como um dos marcos desse período. Com ela surgiu a primeira fantasia genuinamente brasileira, criada por Alceu Pena: a baiana.(Gontijo). Carmem Miranda fez sucesso no Brasil e nos Estados Unidos, divulgando a cultura latino-americana. Foi a primeira brasileira a lançar moda, inclusive nos EUA – o “Miranda look” que foi adaptado e usado nas ruas. Ainda hoje muitos estilistas buscam nela inspiração.

CarmemMiranda4Carmem Miranda

 

Fontes:

 www.fashionbubbles.com

almanaque.folha.uol.com.br

http://www.culturabrasil.pro.br/estadonovo.htm

http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1689u31.jhtm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_Novo_%28Brasil%29